Governadora sanciona doação e contrato para o Shopping Popular de Brasília voltar a operar no SAAN

GDF recebe imóvel da União e assina cessão para feirantes; projeto prevê reforma e novo Mercado Municipal.

A governadora Celina Leão sancionou nesta terça-feira (2) a lei que autoriza o GDF a receber o imóvel do Shopping Popular de Brasília, localizado no SAAN, próximo à antiga Rodoferroviária, e firmou o contrato de cessão com os permissionários. A medida prevê reformas e a implantação do novo Mercado Municipal, com comércio popular, economia solidária, agricultura familiar e espaços culturais.

Transferência e projeto

O imóvel estava sob responsabilidade da União e integra o programa federal Imóvel da Gente. Fechado desde 2017, depois do fim do antigo termo de cessão, o espaço passará por intervenções previstas no projeto de doação com encargos, conforme os acordos assinados nesta terça.

Ao sancionar a lei e assinar o contrato, Celina Leão afirmou: “Nós não podíamos fazer nenhuma intervenção física, nenhuma construção, porque essa área não era nossa. Hoje recebemos a doação oficial, que nos dá a condição de fazer agora o Mercado Municipal. Nós temos agora uma missão muito grande, que é tirar o sonho das pessoas do papel. É fazer disso aqui um mercadão de verdade, com gente comprando, produtos fresquinhos, frutas fresquinhas e restaurantes funcionando”.

Prazos, uso do espaço e responsabilidades

O novo Mercado Municipal terá prazo estimado de execução de 36 meses. Pelo projeto, os atuais feirantes ocuparão 35% da área total do edifício. O restante será destinado a gastronomia, atividades culturais, esportivas e de lazer. Parte do pavimento térreo será cedida ao Ministério do Trabalho e Emprego, que instalará um centro de formação voltado à economia popular e solidária.

A secretária do Patrimônio da União, Carolina Gabas, disse que a doação resultou de negociação para garantir a destinação social do imóvel e a permanência dos trabalhadores. “O papel do governo federal foi formatar o contrato de doação com os encargos. Agora, o GDF vai fazer a licitação e garantir os feirantes que já investiram aqui”, afirmou.

O superintendente do Patrimônio da União no DF, Roberto Policarpo, afirmou que o acordo resgata a dignidade dos feirantes: “Essa parceria vai, acima de tudo, resgatar a dignidade dos feirantes aqui do Shopping Popular. A gente sabe o quanto é importante ter as entregas que são necessárias, e o shopping vai ser resgatado, para que a gente possa dar vida ao shopping. Há uma lista de reivindicações dos feirantes que precisam ser atendidas, para a gente poder realmente dar dignidade para os feirantes”.

O deputado distrital Ricardo Vale disse que a Câmara Legislativa acompanhará o processo: “Eu fico à disposição para, enquanto Câmara Legislativa acompanhar todo esse processo. Eu falo em nome da Câmara Legislativa do Distrito Federal, de todos os deputados. Logo, logo a gente vai ter aqui um mercado central muito bonito, numa área extremamente importante. Todos os estados para os quais a gente viaja têm um mercado central. E aqui tem condições de virar um mercado central, uma referência, para o Distrito Federal. Então, vamos acompanhar, junto com o governo, junto com o governo federal. Vamos juntos”.

Expectativa dos permissionários

Inaugurado em 2008, o Shopping Popular chegou a ter cerca de 1.500 boxes. Segundo relatos dos permissionários, o espaço perdeu movimento ao longo dos anos e deixou de receber intervenções após 2017. Edilene Fernandes, presidente da Associação do Shopping Popular, afirmou que as assinaturas representam retomada de esperança: “Nós estávamos à espera de um milagre. A gente tem a certeza de que agora a nossa vida vai mudar. Eu imagino isso aqui cheio, um centro de referência e um ponto turístico de Brasília… As assinaturas de hoje representam uma nova vida para o Shopping Popular.”

A permissionária Cleonice Maria de Jesus, que atua no local há quase 19 anos, destacou problemas estruturais que precisam ser resolvidos, como a falta de energia: “Nós não temos luz, precisamos pegar um gerador, que pagamos por dia de consumo, senão fica no escuro; e, no escuro, você não consegue vender nada, não consegue usar máquina de cartão, não consegue ver a mercadoria”. Cleonice relatou que, com o baixo movimento, passou a abrir o box apenas três vezes por semana.

Socorro Rocha, outra permissionária desde 2008, afirmou: “Acredito que agora pelo menos uma luzinha apareceu. Só pode ser para melhorar. Para pior não pode ser, porque a gente sofre aqui. Vai ser maravilhoso e ajudar muita gente, tanto os que estão aqui dentro quanto os clientes. Vai chamar mais clientes para a gente”.

Próximos passos

De acordo com o acordo de doação, caberá ao GDF realizar a licitação para as obras e garantir a permanência dos comerciantes. A União ficará responsável por monitorar o cumprimento dos encargos previstos no contrato.

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Publicado em: 02/06/2026 às 16:29
Categoria(s): Distrito Federal