Uma comissão da Câmara dos Deputados aprovou proposta que inclui os planos de saúde sem fins lucrativos entre as situações que podem permitir a contratação direta por órgãos públicos. A medida cria uma previsão específica na legislação de licitações para contratos de assistência médica firmados com entidades de natureza filantrópica.
O texto trata da relação entre a administração pública e operadoras que não distribuem lucro. Com a aprovação, esse tipo de contratação passa a ser considerado de forma própria dentro das hipóteses de dispensa de licitação previstas na Lei de Licitações.
A decisão ocorreu durante a tramitação da proposta na Câmara. A aprovação em comissão representa uma etapa do processo legislativo e não significa que a nova regra já esteja em vigor.
O que prevê a proposta
A proposta estabelece uma exceção voltada aos planos de saúde operados por entidades sem fins lucrativos. Na prática, o órgão público poderá recorrer à contratação direta quando o serviço de assistência médica for prestado por uma operadora que se enquadre nesse perfil, observadas as exigências aplicáveis à contratação pública.
O ponto central do texto é a natureza jurídica da entidade contratada. A possibilidade não é apresentada como uma autorização geral para qualquer operadora de plano de saúde. O tratamento específico fica associado às instituições que não têm finalidade lucrativa e que atuam na prestação de assistência médica.
O modelo altera o enquadramento da contratação dentro da legislação. Em vez de submeter necessariamente o contrato ao procedimento competitivo tradicional, a administração poderá utilizar a hipótese de dispensa prevista para esse tipo de entidade, conforme os limites e requisitos definidos no texto legal.
Relação com a Lei de Licitações
A Lei de Licitações estabelece as regras para compras, obras, serviços e contratos celebrados pelo poder público. Também prevê situações excepcionais em que a administração pode contratar sem realizar uma disputa entre fornecedores, desde que estejam presentes as condições determinadas pela própria legislação.
É nesse conjunto de exceções que a proposta aprovada pretende inserir os planos de saúde sem fins lucrativos. O objetivo do texto é dar tratamento específico à contratação de assistência médica quando a operadora tiver caráter filantrópico ou não distribuir resultados entre seus integrantes.
A mudança não elimina a necessidade de justificar a contratação nem afasta os deveres de planejamento, formalização e controle próprios da administração pública. A dispensa de licitação, quando prevista em lei, não corresponde à ausência de regras para a celebração do contrato.
O órgão público ainda deve observar os procedimentos administrativos aplicáveis, registrar as razões da escolha e demonstrar a adequação da contratação ao interesse público, de acordo com as exigências da legislação. Esses aspectos não são substituídos pela possibilidade de contratação direta.
Critério é a ausência de finalidade lucrativa
O texto aprovado concentra a exceção no perfil da operadora. O fator que diferencia essas entidades é a ausência de finalidade lucrativa, característica que passa a ter relevância específica na análise da contratação de planos de saúde pelo poder público.
Com isso, a proposta separa os planos administrados por instituições sem fins lucrativos das operadoras submetidas às regras gerais aplicáveis ao mercado de saúde suplementar. A contratação direta, se a norma for aprovada ao final da tramitação, dependerá do enquadramento da entidade nos requisitos previstos.
A medida alcança contratos de assistência médica firmados por órgãos públicos. A matéria não estabelece uma autorização indistinta para a contratação de serviços de saúde nem transforma a condição filantrópica em dispensa automática para qualquer situação. A hipótese está vinculada ao objeto do contrato e à natureza da instituição.
Etapa de tramitação
A aprovação ocorreu em comissão da Câmara dos Deputados. Nesta fase, os parlamentares analisam o conteúdo da proposta e podem aprovar, rejeitar ou modificar o texto, conforme o procedimento legislativo aplicável.
O aval da comissão não encerra a tramitação nem produz, por si só, alteração imediata na Lei de Licitações. Para que a regra passe a valer, o projeto ainda precisa cumprir as etapas legislativas previstas para sua aprovação e sanção, conforme o caminho definido para a matéria.
Até a conclusão desse processo, permanecem em vigor as normas atuais que disciplinam a contratação pública de planos de saúde e os casos de contratação direta. A nova hipótese somente poderá ser utilizada depois de eventual aprovação definitiva e da entrada em vigor da alteração legislativa.
Impacto sobre órgãos públicos
Se aprovada definitivamente, a mudança poderá ser considerada por órgãos públicos que busquem contratar assistência médica com entidades sem fins lucrativos. A administração terá uma previsão legal própria para avaliar esse tipo de contrato, em vez de depender apenas do enquadramento nas hipóteses gerais de contratação direta.
A proposta, portanto, não trata apenas do serviço oferecido, mas também da estrutura da entidade que o presta. O caráter não lucrativo passa a funcionar como elemento jurídico relevante para a análise do caminho de contratação.
O texto não autoriza a contratação de qualquer instituição que se apresente como filantrópica. A entidade deverá atender às condições previstas na legislação e no próprio contrato, além de comprovar a compatibilidade do serviço com as necessidades do órgão público.
Também será necessário observar as regras de controle e fiscalização aplicáveis ao uso de recursos públicos. A contratação direta não dispensa a administração de demonstrar a escolha da operadora, a adequação do serviço e a regularidade do procedimento.
Próximos passos
A proposta segue em tramitação no Congresso Nacional. O conteúdo aprovado em comissão poderá avançar para as fases seguintes do processo legislativo, nas quais o texto ainda poderá ser analisado e eventualmente alterado.
Enquanto não houver conclusão da tramitação e entrada em vigor de uma nova norma, os órgãos públicos devem seguir as regras atualmente previstas para a contratação de planos de saúde. A possibilidade de contratação direta para entidades sem fins lucrativos depende da aprovação final da mudança legislativa.
A decisão da comissão abre, assim, uma previsão específica para o debate sobre planos de saúde filantrópicos e contratos públicos de assistência médica. O eixo da proposta é estabelecer que a ausência de finalidade lucrativa da operadora possa justificar um tratamento próprio dentro da legislação de licitações.
Fonte: Agência Câmara de Notícias.








