terça-feira, 29 de setembro de 2026
Cidades

Santa Maria (DF) ganha destaque entre as regiões de Brasília com crescimento urbano e econômico

Santa Maria (DF) ganhou relevância no Distrito Federal ao combinar crescimento populacional, localização estratégica, expansão habitacional e a presença do Polo JK, um dos principais vetores econômicos da região sul de Brasília.

Santa Maria (DF) ganhou espaço no mapa do Distrito Federal ao longo das últimas décadas. Criada oficialmente como Região Administrativa XIII em 1993, a área deixou de ser associada apenas à expansão habitacional do sul de Brasília e passou a reunir população numerosa, comércio local, atividades industriais, logística e novos projetos de ocupação urbana.

O avanço não ocorreu de forma repentina. A história de Santa Maria está ligada à formação do território do Distrito Federal, à transferência da capital para Brasília e à necessidade de criar áreas destinadas à moradia de famílias que viviam em ocupações dispersas ou buscavam alternativas habitacionais próximas à capital.

Atualmente, a região se destaca pela localização próxima à BR-040, pelo acesso à Saída Sul e pela presença do Polo JK. Também chama atenção pela dimensão de sua população: a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada de 2024, elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, estimou 121.635 moradores na área urbana de Santa Maria.

Uma região formada antes da criação administrativa

O território de Santa Maria fazia parte de uma área que pertenceu ao estado de Goiás antes da criação de Brasília. De acordo com registros históricos reunidos pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, há referências à ocupação da região desde o século XVIII, período relacionado à formação do antigo Arraial de Santa Luzia, atual Luziânia.

A ocupação histórica esteve associada aos cursos d’água que atravessam ou cercam a região, como os rios e ribeirões Santa Maria, Alagados, Saia Velha e Ponte Alta. Antes da urbanização mais intensa, o território reunia áreas rurais e núcleos ligados à produção agrícola e à ocupação tradicional do entorno do Distrito Federal.

Com a construção de Brasília, o crescimento populacional modificou a organização do território. A chegada de trabalhadores e de suas famílias aumentou a demanda por moradia, transporte, serviços públicos e áreas urbanizadas. Como ocorreu em outras regiões administrativas, a formação de Santa Maria foi influenciada por políticas de assentamento e pela expansão da ocupação urbana para além do Plano Piloto.

A criação da Região Administrativa de Santa Maria

O processo que levou à criação da região administrativa começou no início da década de 1990. Em 1990, o Governo do Distrito Federal instituiu um programa de assentamento voltado ao atendimento de famílias de baixa renda e à transferência de ocupações consideradas irregulares ou dispersas.

A Lei nº 348, de 4 de novembro de 1992, criou formalmente a Região Administrativa de Santa Maria. A medida foi regulamentada pelo Decreto nº 14.604, de 10 de fevereiro de 1993, que estabeleceu a RA XIII e definiu seus limites físicos.

A ocupação urbana começou pelas quadras 200 e pelas quadras 308, 309 e 310. Com o passar dos anos, o parcelamento foi ampliado e consolidado entre os ribeirões Alagado e Santa Maria. O desenho urbano foi organizado em torno de duas avenidas principais, a Alagado e a Santa Maria, que se tornaram eixos de circulação, comércio e serviços.

Esse processo ajuda a explicar uma característica importante da região: Santa Maria nasceu como área planejada para receber moradores, mas sua consolidação ocorreu gradualmente, acompanhando o crescimento da população e a instalação de novas estruturas urbanas.

População e diversidade social

Os dados mais recentes da PDAD-A 2024 mostram a dimensão alcançada por Santa Maria. A população urbana estimada foi de 121.635 pessoas, com idade média de 33,1 anos. O levantamento também apontou que 52,5% dos moradores eram do sexo feminino.

A pesquisa indica ainda a forte presença de moradores nascidos no próprio Distrito Federal. Segundo o levantamento, 61,4% da população declarou ter nascido no DF. Entre os residentes que nasceram fora da unidade federativa, a Região Nordeste representou a principal origem regional, com 63,4% desse grupo.

Esses dados refletem uma das marcas da formação social de Brasília: a presença de famílias vindas de diferentes partes do país e a criação de comunidades que, ao longo do tempo, desenvolveram vínculos próprios com o território. Em Santa Maria, a identidade local foi construída pela combinação entre moradores antigos, novas gerações nascidas no DF e famílias que chegaram em busca de moradia e oportunidades.

O tempo médio de moradia no Distrito Federal entre os residentes da região foi estimado em 25,7 anos. Já o tempo médio de permanência na própria Região Administrativa foi de 16,6 anos. Os números indicam que parte significativa da população tem trajetória prolongada no território e acompanha diretamente suas transformações.

O papel do Polo JK na economia local

Um dos principais fatores associados ao destaque de Santa Maria é a localização do Polo JK. O complexo está situado às margens da BR-040, em uma área estratégica para o deslocamento entre Brasília, os municípios do Entorno e outras cidades do Centro-Oeste.

O Polo JK reúne empresas ligadas principalmente aos setores industrial e logístico. Sua posição facilita o transporte de mercadorias e conecta a região a importantes vias de circulação. Essa característica ampliou o papel de Santa Maria na economia do Distrito Federal, que deixou de ser apenas residencial e passou a abrigar atividades produtivas com influência regional.

A área também é relevante para o deslocamento diário de trabalhadores. A proximidade com a BR-040 e com a Saída Sul cria uma ligação direta com o Plano Piloto, o Gama, outras regiões administrativas e municípios do estado de Goiás. Ao mesmo tempo, essa conexão reforça a dependência de parte dos moradores em relação a empregos e serviços localizados fora de Santa Maria.

O desenvolvimento econômico, portanto, ocorre em duas frentes. De um lado, há a expansão do comércio e dos serviços voltados à população local. De outro, existe a presença de empresas que atendem mercados mais amplos e utilizam a região como ponto de produção, armazenamento e distribuição.

Expansão urbana e planejamento territorial

O crescimento de Santa Maria também aparece nos estudos de planejamento urbano. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal aprovou um Estudo Territorial Urbanístico para uma área de expansão com 839 hectares. O documento foi elaborado para orientar o uso e a ocupação do solo, além de servir de base para projetos de regularização e licenciamento de atividades econômicas.

O estudo considerou uma população máxima estimada em até 122.740 habitantes na área analisada. A previsão não representa, por si só, um número de moradores já instalado, mas demonstra a dimensão do potencial de ocupação avaliado pelo poder público.

Instrumentos desse tipo são importantes porque procuram organizar a expansão antes da implantação de novos empreendimentos. Entre os temas considerados estão o sistema viário, a circulação, o zoneamento, os parâmetros urbanísticos e a distribuição de densidades. O objetivo é reduzir conflitos entre moradia, comércio, indústria, transporte e preservação ambiental.

A expansão, porém, também impõe desafios. O aumento da população exige ampliação da rede de saúde, educação, transporte público, saneamento, segurança e equipamentos de lazer. O planejamento precisa acompanhar o ritmo dos novos parcelamentos e garantir que a infraestrutura não fique concentrada apenas nas áreas mais antigas da região.

Serviços e formação de uma centralidade própria

Com o crescimento urbano, Santa Maria passou a desenvolver uma centralidade própria. A população encontra na região uma rede de comércio, escolas, unidades de atendimento, espaços esportivos e serviços públicos. Isso reduziu parte da necessidade de deslocamento para outras áreas, embora muitos moradores ainda trabalhem ou estudem fora da Região Administrativa.

Na área da saúde, a PDAD-A 2024 apontou que Santa Maria foi a última localidade procurada por 53,8% dos moradores que buscaram atendimento. O Plano Piloto apareceu em seguida, com 20,7%, e o Gama, com 11,6%. O dado sugere que a região passou a concentrar parte importante da demanda de seus próprios moradores, mas também revela a permanência de fluxos para centros mais estruturados.

Na educação, a pesquisa registrou que 96,6% da população com cinco anos ou mais declarou saber ler e escrever. Entre pessoas de 4 a 24 anos, 72,1% frequentavam a escola no período pesquisado. Esses indicadores ajudam a dimensionar a estrutura social da região, embora não substituam avaliações específicas sobre qualidade, oferta de vagas e deslocamento dos estudantes.

Cultura, memória e identidade local

O destaque de Santa Maria não se limita à população e à economia. A região também preserva referências culturais e paisagísticas que ajudam a formar sua identidade.

Entre os símbolos locais está o Monumento Solarius, conhecido popularmente como Chifrudo. A obra é associada à migração dos candangos e à construção de Brasília. O monumento foi apresentado pelo governo francês como homenagem ao processo de formação da nova capital e permanece como uma referência visual da região.

Santa Maria também abriga áreas naturais e pontos de interesse, como a Cachoeira do Tororó, além de locais relacionados aos ribeirões e às antigas áreas rurais. Festas, apresentações musicais e eventos comunitários completam esse conjunto de manifestações que aproximam os moradores e reforçam o sentimento de pertencimento.

A presença de áreas militares, rurais, industriais e residenciais faz com que Santa Maria tenha uma composição territorial diversificada. Essa combinação diferencia a região de áreas mais homogêneas do Distrito Federal e cria uma relação direta entre memória, infraestrutura, produção e vida cotidiana.

Uma trajetória de crescimento com desafios

A história de Santa Maria mostra como o Distrito Federal continuou se transformando depois da inauguração de Brasília. A região surgiu em um contexto de política habitacional e expansão urbana, mas adquiriu novas funções com o crescimento da população e a instalação de atividades econômicas.

Hoje, Santa Maria ocupa uma posição estratégica no sul do DF. A população numerosa, a proximidade com a BR-040, o Polo JK e a expansão de áreas residenciais ajudam a explicar por que a Região Administrativa ganhou destaque entre as regiões de Brasília.

O próximo capítulo dependerá da capacidade de conciliar crescimento e planejamento. A expansão urbana pode ampliar a oferta de moradia e empregos, mas também exige investimentos permanentes em mobilidade, saneamento, serviços públicos e proteção ambiental.

Mais de três décadas depois de sua criação oficial, Santa Maria deixou de ser apenas uma área de assentamento. A Região Administrativa se consolidou como um território com história própria, população expressiva e participação crescente na dinâmica econômica e urbana do Distrito Federal.