quinta-feira, 8 de outubro de 2026
ECONOMIA

Mercado empresarial pode ser a porta de entrada de catadores em novo incentivo fiscal

Proposta em tramitação na Câmara dos Deputados prevê incentivo fiscal para empresas que adquirirem materiais recicláveis de catadores. O texto desloca para a relação comercial entre os dois grupos o foco de uma política voltada à reciclagem.
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Um projeto em análise na Câmara dos Deputados prevê a criação de um incentivo fiscal para empresas que comprarem materiais recicláveis de catadores. A proposta coloca a relação comercial entre empresas e trabalhadores da coleta no centro de uma política voltada à cadeia da reciclagem.

O texto considera a aquisição dos materiais como elemento para o acesso ao benefício tributário. Com isso, a empresa que realizar esse tipo de compra poderá utilizar a operação como referência para obter o incentivo previsto na proposta, conforme as regras estabelecidas no projeto.

Compra passa a ser o ponto central da proposta

A medida não trata apenas da destinação final dos resíduos ou do processamento industrial dos recicláveis. O foco está na etapa anterior: o momento em que o material coletado chega ao mercado por meio da venda feita pelos catadores.

Na prática descrita pelo projeto, a empresa aparece como responsável pela decisão de compra. O incentivo fiscal seria usado para estimular a aquisição de materiais provenientes do trabalho dos catadores, vinculando uma escolha comercial a uma política de apoio à reciclagem.

Essa formulação leva para o campo tributário uma operação que ocorre na origem da cadeia. Em vez de considerar somente as etapas posteriores, relacionadas ao beneficiamento ou à transformação dos resíduos, a proposta prevê o reconhecimento da compra realizada junto aos catadores.

Catadores são incluídos na relação com as empresas

Os catadores ocupam, no projeto, a posição de fornecedores dos materiais recicláveis adquiridos pelas empresas. A proposta relaciona o benefício fiscal à existência dessa operação comercial, sem retirar dos trabalhadores o papel de responsáveis pela coleta e pela disponibilização dos materiais.

O desenho previsto estabelece uma conexão entre duas pontas da cadeia: de um lado, os catadores, que recolhem e comercializam os recicláveis; de outro, as empresas, que compram esses materiais para suas atividades. O incentivo seria aplicado à empresa, mas teria como referência a compra feita dos catadores.

Esse vínculo é o eixo do projeto. A proposta não apresenta o benefício como uma transferência direta aos trabalhadores da coleta, mas como um mecanismo tributário destinado às empresas que adquirirem os materiais deles.

Incentivo depende da operação comercial

O projeto associa a vantagem fiscal à compra de materiais recicláveis. A empresa, portanto, precisaria realizar a operação prevista para que ela pudesse ser considerada no mecanismo de incentivo criado pela proposta.

O objetivo é fazer com que a aquisição de recicláveis de catadores integre a tomada de decisão empresarial. A compra, além de cumprir uma função de fornecimento, passaria a estar relacionada ao benefício tributário estabelecido no texto em tramitação.

Essa lógica diferencia a proposta de medidas concentradas apenas no resultado final da reciclagem. O projeto volta a atenção para o caminho percorrido pelo material antes de chegar às etapas industriais e reconhece a comercialização feita pelos catadores como parte desse processo.

Projeto ainda está em tramitação

A medida não está em vigor. Trata-se de um projeto em análise na Câmara dos Deputados, sujeito ao andamento legislativo e às etapas de discussão previstas para proposições desse tipo.

Enquanto a proposta estiver em tramitação, o incentivo fiscal depende da aprovação do texto e da definição das regras correspondentes. O projeto, portanto, apresenta uma possibilidade de alteração na forma como as compras de recicláveis feitas de catadores podem ser consideradas no relacionamento tributário das empresas.

A existência da proposta não significa que o benefício já possa ser utilizado pelas empresas ou que os catadores já estejam incluídos em um regime tributário criado especificamente por essa medida. A previsão depende da conclusão do processo legislativo.

Relação entre coleta e indústria

Os materiais coletados por catadores percorrem diferentes etapas até serem aproveitados por empresas. A compra representa o elo que conecta o trabalho de coleta ao mercado que recebe os recicláveis.

Ao prever um incentivo para essa operação, o projeto procura inserir esse elo na política de reciclagem. A empresa que compra passa a ser o agente diretamente alcançado pelo benefício, enquanto o trabalho dos catadores é reconhecido como a origem dos materiais que integram a operação.

O texto, dessa forma, desloca parte da discussão para o início da cadeia. A coleta deixa de aparecer apenas como uma fase anterior ao processamento e passa a ser considerada na formação da relação comercial que permite a entrada dos recicláveis no mercado empresarial.

O que a proposta estabelece

Em termos gerais, o projeto prevê:

  • um incentivo fiscal direcionado a empresas;
  • a vinculação do benefício à compra de materiais recicláveis;
  • a participação de catadores como fornecedores desses materiais;
  • o reconhecimento da aquisição como parte da cadeia da reciclagem.

A proposta, portanto, combina uma medida tributária com uma operação comercial. O benefício não é apresentado de forma isolada, mas associado à decisão empresarial de comprar materiais coletados por catadores.

O texto também leva para o debate legislativo a forma como os catadores são considerados na cadeia produtiva. A partir da compra, eles passam a ser relacionados ao fornecimento de insumos recicláveis para empresas que participam das etapas seguintes.

Próximas etapas

Como ainda está em análise na Câmara, o projeto deverá seguir o rito legislativo aplicável à proposta. O conteúdo poderá ser examinado pelas instâncias responsáveis antes de uma eventual votação, conforme o andamento definido no processo legislativo.

Até que haja uma decisão final, permanecem como referência as regras atualmente vigentes. O incentivo descrito no projeto só poderá produzir efeitos se a proposta for aprovada e transformada em norma, nos termos que vierem a ser estabelecidos.

A discussão, entretanto, já coloca a compra de recicláveis de catadores dentro do debate sobre políticas tributárias. O ponto central é a possibilidade de usar o sistema de incentivos para estimular empresas a adquirir materiais diretamente de quem atua na coleta.

Com essa abordagem, a proposta relaciona a decisão de compra das empresas ao reconhecimento da etapa inicial da reciclagem. O resultado pretendido é aproximar o trabalho dos catadores do mercado empresarial por meio de uma regra de incentivo fiscal.

Fonte: Agência Câmara de Notícias.