segunda-feira, 2 de novembro de 2026
DIREITOS HUMANOS

Teclado em braille e debates sobre inclusão fazem parte da rotina de estudante que encontrou Lula

Daniel Vidal Moura, de 13 anos, tem menos de 5% da visão nos dois olhos e defende melhorias na acessibilidade, combate ao preconceito e maior participação dos jovens na política.
Teclado em braille e debates sobre inclusão fazem parte da rotina de estudante que encontrou Lula
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O teclado eletrônico em braille usado por Daniel Vidal Moura para acompanhar as atividades escolares no computador também faz parte da rotina de um estudante interessado em política, desigualdade e direitos das pessoas com deficiência. Aos 13 anos, ele defende que o governo amplie o acesso a recursos de inclusão e que os jovens participem mais das discussões sobre o país.

Morador da Asa Sul, em Brasília, Daniel tem menos de 5% da visão nos dois olhos em razão da Amaurose Congênita de Leber, doença genética identificada quando ele tinha dois meses de vida. Segundo o estudante, o equipamento utilizado nos estudos poderia ser disponibilizado a outras pessoas com deficiência visual.

Acessibilidade no cotidiano

Daniel afirma que encontra dificuldades de acessibilidade em diferentes espaços. Ele cita pisos irregulares, prédios sem rampas ou elevadores e limitações no transporte público como problemas que afetam a circulação de pessoas com deficiência.

“Em todo lugar que eu vou, a acessibilidade é precária”, disse o estudante à Agência Brasil. Na avaliação dele, o Brasil precisa melhorar as condições de acesso e garantir que pessoas com deficiência possam exercer seus direitos.

Entre as sugestões que gostaria de apresentar a autoridades está a criação de um ministério exclusivo para pessoas com deficiência. A proposta foi mencionada por Daniel ao falar sobre o que diria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso tivesse mais tempo para conversar com ele.

Encontro com o presidente

O estudante encontrou Lula do lado de fora da grade do Palácio da Alvorada, durante uma homenagem organizada por eleitores para marcar o aniversário de 81 anos do presidente. A conversa durou cerca de 50 segundos. Daniel estava acompanhado do pai, o bancário Fernando Moura, de 46 anos, e decidiu faltar à aula de futebol depois de saber do ato.

Durante o encontro, ele conseguiu agradecer pelas políticas públicas e dizer que admirava o presidente. Também afirmou que gostaria de chegar à Presidência da República. “Queria dizer a ele que quero ser presidente também”, declarou.

Daniel usava uma camisa da seleção brasileira com o número 13, a mesma vestida no momento do abraço. Segundo o estudante, o tempo da conversa não foi suficiente para tratar de todos os assuntos que havia levado, entre eles acessibilidade, políticas públicas e participação dos jovens na política.

Interesse por política e desigualdade

O interesse de Daniel por esses temas é estimulado em casa. A mãe, Raquel Vidal, servidora pública de 45 anos, afirma que lia para o filho desde os primeiros meses de vida e procurava incentivá-lo a conhecer diferentes assuntos.

“Nós líamos para ele desde que nasceu. Ele nunca parou de se interessar sobre o mundo. O Daniel sempre se interessou muito por história e por geopolítica”, afirmou Raquel.

Com o tempo, o estudante também passou a acompanhar assuntos relacionados a economia, desigualdade e notícias internacionais. Entre os temas que chamaram sua atenção, ele citou a saída do Brasil do Mapa da Fome e a taxa de desemprego, que considera a menor desde 2015.

O combate aos preconceitos também aparece nas conversas da família. Daniel demonstra preocupação com o capacitismo e afirma que pessoas com deficiência precisam lutar para conquistar seus direitos. O pai, que é negro, conversa com os filhos sobre manifestações cotidianas do racismo. Daniel, que é branco, diz estudar nas aulas de história a escravidão no Brasil e suas consequências.

Participação dos jovens

O estudante defende que adolescentes se envolvam mais nas discussões públicas, mesmo antes da idade mínima para votar. Para ele, a participação dos jovens pode contribuir para o crescimento do país.

“A gente só pode votar depois dos 16 anos, mas nós, jovens, temos que participar mais. O Brasil precisa dos jovens. O país vai crescer se os jovens estiverem interessados nisso”, afirmou.

Daniel também disse que incentiva colegas a conversar sobre participação social e política. Na avaliação dele, é necessário conscientizar os jovens sobre a importância de acompanhar esses assuntos e participar da vida pública.

Se tivesse mais tempo com Lula, o estudante afirmaria ainda que o presidente deve cumprir promessas de reforçar políticas públicas e corrigir problemas do país. A mãe diz desejar que o filho seja feliz e tenha acesso a oportunidades.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil